Pular para o conteúdo principal

Anjos em Minha Vida

Anjos Em Minha Vida (Sextante, 2010) foi um livro que li lá em meados de 2010 e jamais esqueci. Sabe aquelas leituras que fixam na sua mente, que você não consegue se desfazer das lembranças que o texto traz mesmo que queira? Então. Foi um dos poucos livros que me fizeram chorar de verdade. Mas eu gosto assim, de leituras que marcam, que deixam rastros na nossa vida, e que nos façam evoluir e aprender.

A história é sobre a própria autora, a Lorna Byrne, uma jovem senhora de seus cinquenta e poucos anos. Ela conta que desde bebêzinha consegue enxergar nada menos que os anjos. No começo, a família dela achava que se tratava de alguma doença mental ou algum tipo de desequilíbrio, pois o bebê Lorna ficava olhando para o nada, sorrindo, seguindo coisas e pessoas que não existiam. Quando foi crescendo, ela foi entendendo que aquilo não se tratava de algo tão normal assim. Ela conseguia ver e se comunicar com os seres de luz — coisa que nós, normalmente, não conseguimos tão facilmente assim.

Lorna passou por muitas dificuldades durante a sua vida. E a maior dificuldade dela é contada em seu livro. Ela conta as suas vivências, seus segredos, suas aflições, preocupações e sofrimentos. Como tudo começou, como ela conseguia lidar com esse dom e como as pessoas reagiam. E nessa história a gente consegue extrair muitos ensinamentos e conselhos para a nossa própria vida. Lorna só virou escritora agora com esta idade. Segundo ela, depois de ter vivido muito e ter passado por muitas experiência, desta vez chegou a hora de escrever e compartilhar com o mundo o presente que recebeu dos céus para acrescentar algo na vida das pessoas. O livro é quase como um desabafo, é Lorna abrindo o seu coração, contando a sua vida para nós, compartilhando conosco suas aflições, seus sofrimentos, suas angústias e também suas conquistas.

Em nenhum momento ela tenta convencer você de que anjos existem. Ela simplesmente conta que vê, sente e conversa com eles de forma natural. Particularmente, como espiritualista, acredito sim que eles existem e que estão constantemente conectados conosco, quer você acredite ou não, quer você seja um ateu, alguém que não acredita em Deus ou que nunca rezou na vida. Mas enfim, deixemos as polêmicas para outro dia.

Porque o título é tão diferente em português? Primeiramente, talvez tenha sido um esquema de tradução mais lógica. Ou seja, traduzir fielmente para o português ficaria “Anjos em meu cabelo”. Talvez não soaria tão bem assim. Então, colocaram assim mesmo: Anjos em minha vida, que não muda em nada o significado do livro. Mas enfim, porque “em meu cabelo” no título original? Segundo Lorna, quando um anjo queria falar com ela, ele “mexia” em seus cabelos levemente, fazendo-os voar como se estivesse ao vento. Ela imediatamente sabia que era o anjo Hosus, uma fonte de luz que guia Lorna por muito tempo em sua vida.

No mais, Anjos Em Minha Vida vale a pena a leitura para quem quer algo leve, mas ao mesmo tempo emocionante e que acrescente algo. Lorna tem um site: www.lornabyrne.com.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Dia do Curinga, Jostein Gaarder

Ao terminar o livro, um pensamento rápido: queria ter entrado no mundo do Hans-Thomas. Ter saído de Hisoy, na Noruega, num Fiat vermelho com o pai dele à procura de alguma coisa, algum ‘sentido' para a vida. Afinal, a vida não é isso? Parece que estamos sempre em busca de algum significado para tudo. Eles foram procurar alguém especial - a mãe de Hans-Thomas - e nessa aventura descobriam dezenas de histórias e exploraram as mais intensas divagações sobre o mundo e a filosofia.

No meio dessa tal viagem, um livro misterioso desencadeia uma narrativa paralela, em que mitos gregos, maldições de família, náufragos e cartas de baralho que ganham vida transformam a viagem do menino numa autêntica iniciação à busca do conhecimento.

Como ele acha esse livro? Estavam abastecendo em um posto de gasolina quando um anão se aproxima de Hans-Thomas e entrega uma lupa para ele e diz: você precisará desta lupa. Guarde-a.

Mais tarde, em Dorf, Hans entra numa padaria e descobre um livrinho minúscul…

Mal Secreto, de Zuenir Ventura

O livro Inveja: Mal Secreto, de Zuenir Ventura, já começa com uma advertência: o que se vê a seguir é uma tentativa de escrever sobre a inveja, e não diretamente acerca da inveja. E é exatamente o que percebemos ao longo das 264 páginas do livro. O autor nos suga numa incrível história de medo, prazer e apuração jornalística. Logo no primeiro capítulo nos é apresentado Kátia, a filha ilegítima de uma mãe de santo no Rio de Janeiro. É partir dela que Zuenir Ventura desfiará uma teia de acontecimentos que nos levará uma reflexão sobre este mal secreto: a inveja.

O autor nos conta como surgiu a conversa sobre inveja pela primeira vez: foi numa viagem que fez a Angra dos Reis com sua esposa e mais duas mulheres. Ventura diz que não se lembra exatamente como o tema “inveja” apareceu na viagem, mas lembra de Dorrit, uma das viajantes, falando que o tema a fascinava pois se tratava de um assunto insidioso, inconfessável e inesgotável. A conversa dos dois foi se estendendo até a cidade de Líd…

A Boa Filha, de Karin Slaughter - O primeiro Kit da TAG Inéditos

Quando a TAG Experiências Literárias foi lançada, fiquei naquela dúvida se realmente valeria a pena. Fiquei desconfiado pela ideia de receber livros "surpresas" em casa, mesmo se viessem com algum mimo e outros objetos para justificar o valor pago mensalmente. Fiquei 'namorando' a vontade de assinar por bastante tempo, até que fiquei sabendo de uma reformulação da proposta. Hoje, a TAG se compõe de Tag Curadoria e TAG Inéditos. Foi este último que me chamou a atenção.

A TAG Curadoria continua com a premissa inicial: edições de luxo com mimos, cujas histórias são indicadas por grandes nomes da literatura. Ok. Já a TAG Inéditosme ganhou pela proposta de enviar aos assinantes obras de fato inéditas no país, inclusive traduzidas especialmente para os leitores do clube. Fiquei interessado quase instantaneamente. Quais livros eu leria que ainda não foram lançados no Brasil e que seriam tão cativantes assim? Não resisti ao impulso: peguei o cartão de crédito (já tomado por…