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O Dia do Curinga, Jostein Gaarder

Ao terminar o livro, um pensamento rápido: queria ter entrado no mundo do Hans-Thomas. Ter saído de Hisoy, na Noruega, num Fiat vermelho com o pai dele à procura de alguma coisa, algum ‘sentido' para a vida. Afinal, a vida não é isso? Parece que estamos sempre em busca de algum significado para tudo. Eles foram procurar alguém especial - a mãe de Hans-Thomas - e nessa aventura descobriam dezenas de histórias e exploraram as mais intensas divagações sobre o mundo e a filosofia.

No meio dessa tal viagem, um livro misterioso desencadeia uma narrativa paralela, em que mitos gregos, maldições de família, náufragos e cartas de baralho que ganham vida transformam a viagem do menino numa autêntica iniciação à busca do conhecimento.

Como ele acha esse livro? Estavam abastecendo em um posto de gasolina quando um anão se aproxima de Hans-Thomas e entrega uma lupa para ele e diz: você precisará desta lupa. Guarde-a.

Mais tarde, em Dorf, Hans entra numa padaria e descobre um livrinho minúscul…
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Mal Secreto, de Zuenir Ventura

O livro Inveja: Mal Secreto, de Zuenir Ventura, já começa com uma advertência: o que se vê a seguir é uma tentativa de escrever sobre a inveja, e não diretamente acerca da inveja. E é exatamente o que percebemos ao longo das 264 páginas do livro. O autor nos suga numa incrível história de medo, prazer e apuração jornalística. Logo no primeiro capítulo nos é apresentado Kátia, a filha ilegítima de uma mãe de santo no Rio de Janeiro. É partir dela que Zuenir Ventura desfiará uma teia de acontecimentos que nos levará uma reflexão sobre este mal secreto: a inveja.

O autor nos conta como surgiu a conversa sobre inveja pela primeira vez: foi numa viagem que fez a Angra dos Reis com sua esposa e mais duas mulheres. Ventura diz que não se lembra exatamente como o tema “inveja” apareceu na viagem, mas lembra de Dorrit, uma das viajantes, falando que o tema a fascinava pois se tratava de um assunto insidioso, inconfessável e inesgotável. A conversa dos dois foi se estendendo até a cidade de Líd…

A Boa Filha, de Karin Slaughter - O primeiro Kit da TAG Inéditos

Quando a TAG Experiências Literárias foi lançada, fiquei naquela dúvida se realmente valeria a pena. Fiquei desconfiado pela ideia de receber livros "surpresas" em casa, mesmo se viessem com algum mimo e outros objetos para justificar o valor pago mensalmente. Fiquei 'namorando' a vontade de assinar por bastante tempo, até que fiquei sabendo de uma reformulação da proposta. Hoje, a TAG se compõe de Tag Curadoria e TAG Inéditos. Foi este último que me chamou a atenção.

A TAG Curadoria continua com a premissa inicial: edições de luxo com mimos, cujas histórias são indicadas por grandes nomes da literatura. Ok. Já a TAG Inéditosme ganhou pela proposta de enviar aos assinantes obras de fato inéditas no país, inclusive traduzidas especialmente para os leitores do clube. Fiquei interessado quase instantaneamente. Quais livros eu leria que ainda não foram lançados no Brasil e que seriam tão cativantes assim? Não resisti ao impulso: peguei o cartão de crédito (já tomado por…

Quero Minha Mãe

'Quero Minha Mãe', de Adélia Prado, é uma narrativa “despedaçada”, como aqueles cadernos que usamos para escrever alguns pensamentos e guardamos na gaveta. Depois de dias, a gente se lembra dele, escreve mais alguma coisa e guarda novamente no mesmo lugar. Foi isto que percebi ao ler a obra.

Na primeira folha, somos impactados: Olímpia é diagnosticada com câncer e discorre sobre isto em pensamentos soltos. A cada página é como se fôssemos levados pelo inconsciente — que na verdade está bem consciente — da autora. Cada página, um rabisco. Na época de lançamento, Adélia estava prestes a completar 70 anos. Uma vida inteira de experiências posta em poucas folhas de papel.

A grande referência da autora durante a narrativa é, obviamente, a sua mãe. Num trecho, ela diz: “Estou me lembrando da minha mãe, morreu num mês de setembro, a três meses da minha formatura no ginásio, cercada de travesseiros, os lábios muito roxos, puxando o ar, minhas tias, meu pai, meus irmãos em volta”.

A h…

Através do Espelho

Na primeira vez que li esse livro, senti um leve nó na cabeça, como se algo tivesse me despertado. Foi uma surpresa. E não há nada mais gostoso numa leitura do que sentir o prazer da surpresa de uma narrativa. Você simplesmente não espera que tal ação vá acontecer. E quando acontece: algo te acorda, desperta, sorri para você e a sua reação é ficar atônito.

Cecilia Skotbu me marcou. Ela representa, talvez, todos nós, cuja necessidade de sonhar é inerente a persona que você carrega.

Ela está doente. A família tem noção da gravidade de sua doença, mas Cecilia não sabe. Ela dorme e acorda achando que está apenas acamada com algo que logo será curado. O livro se passa durante os festejos de Natal. E não foi por acaso que Gaarder escolheu justamente este tema: é a época cujas famílias se reúnem, fazem suas refeições juntas, trocam presentes e afetos. Atitudes estas que não são recorrentes nos outros dias do ano. A família cuida de Cecilia como quem cuida de uma pessoa bem idosa, quase à beir…

Anjos em Minha Vida

Anjos Em Minha Vida (Sextante, 2010) foi um livro que li lá em meados de 2010 e jamais esqueci. Sabe aquelas leituras que fixam na sua mente, que você não consegue se desfazer das lembranças que o texto traz mesmo que queira? Então. Foi um dos poucos livros que me fizeram chorar de verdade. Mas eu gosto assim, de leituras que marcam, que deixam rastros na nossa vida, e que nos façam evoluir e aprender.

A história é sobre a própria autora, a Lorna Byrne, uma jovem senhora de seus cinquenta e poucos anos. Ela conta que desde bebêzinha consegue enxergar nada menos que os anjos. No começo, a família dela achava que se tratava de alguma doença mental ou algum tipo de desequilíbrio, pois o bebê Lorna ficava olhando para o nada, sorrindo, seguindo coisas e pessoas que não existiam. Quando foi crescendo, ela foi entendendo que aquilo não se tratava de algo tão normal assim. Ela conseguia ver e se comunicar com os seres de luz — coisa que nós, normalmente, não conseguimos tão facilmente assim.

O mistério da Estrela Nua

A sensação de reler um livro e descobrir coisas novas é interessante. Você se questiona: como não ‘entendi’ isso antes? Que frase linda! Etc.

Carlos Eduardo — ou Cadu — é um jovem de 18 anos totalmente perdido na vida. Muito embora seja filho de pais ricos, ele escolheu seguir o seu próprio caminho. Mora miseravelmente sozinho, faz parte de uma banda de rock de fundo de quintal cujos membros são seus amigos e sua namorada, a Julia. Todo mês é um sufoco para pagar o aluguel e sempre pensa em desistir de tudo e ir voltar a morar com os pais.

No livro, ele conversa com a gente. É como se você estivesse sentado numa mesa de bar e ele estivesse ao seu lado contando a história dele para você. Meio doido isso, mas é esta a impressão que se tem logo nas primeiras páginas. Ou então, como se ele estivesse escrevendo num diário e, no próprio texto, ele conversasse consigo mesmo. Interagisse consigo.



Ele nos conta a história de como Hilde entrou na vida dele. Recebia bananas da mãe do Rubinho. Es…